E se o seu telemóvel lhe permitisse pagar as contas? Nalguns países africanos os operadores funcionam como bancos e as pessoas pagam-se por SMS. Em Portugal a aplicação do Multibanco para alguns aparelhos, iPhone incluído, cobra pelas consultas de saldo... Usei-a pouco. Instalei agora a aplicação do PayPal, que permite pagamentos até fora do país, embora limitados. Mas o melhor está para vir: a VISA vai anunciar a sua própria iPhone app, que permitirá pagar em lojas e pontos de venda. As principais barreiras não são de segurança ou tecnológicas: são burocráticas.
Ovos de ouro
Farmville, um dos 4 jogos que fazem a Zynga valer incríveis 4.000 milhões de dólares, é jogado por 80 milhões no Facebook. s3g.me/9dh
Conhecidos os 24 pré-convocados que o seleccionador de Portugal, Carlos Queiroz, escolheu a menos de dois meses do Mundial de futebol, eis alguns números e dados "sociais" sobre eles e a convocatória.
Todos os 24 futebolistas têm página na Wikipedia de língua portuguesa;
Curiosamente, também têm todos ficha na Wikipedia inglesa;
Até 3 horas depois da convocatória, nenhuma das páginas de jogadores que consultei nas Wikipedias tinha sido actualizada com a convocatória;
Há mais de 5.100 resultados de pessoas com o nome de Cristiano Ronaldo no Facebook;
9 em cada 10 páginas pessoais no Facebook com "Cristiano Ronaldo" no nome têm alguma foto do jogador;
Cristiano Ronaldo é o único jogador da selecção portuguesa com honra de página no Internet Movie Database, a mais conhecida base de dados de cinema;
Em geral, as fichas dos jogadores estão mais desenvolvidas na Wikipedia inglesa;
Os jogadores convocados nasceram em 5 países: Portugal (17), Brasil (3), Cabo Verde (2), Canadá (1) e Venezuela (1)
Duda, Zé Castro e Simão Sabrosa são os únicos três jogadores com websites oficiais, segundo consegui apurar;
Há mais de 3.400 resultados de páginas no Facebook contendo o nome de Cristiano Ronaldo. O número inclui tanto as páginas de fãs como as de pessoas que o odeiam;
1.077 pessoas são fãs de uma página placeholder, que está a reservar o nome da Federação Portuguesa de Futebol no Facebook, aguardando que a entidade oficial a assuma. Ou seja, a FPF não está no Facebook. Nem no Twitter.
Site da Federação Portuguesa de Futebol
Lá encontramos informação atualizada sobre a selecção e informação oficial, útil, acerca do estágio. O site da FPF tem, acreditem ou não, o aspecto abaixo representado.
Subitamente, toda a gente no Twitter passou a ter zero followers: a notícia de um bug, pelo webzine Mashable, levou o Twitter a suspender temporariamente a exibição da contagem dos números de followers e following -- quem nos segue e quem seguimos.
"Enquanto reparamos o problema, o contador está a zero e está desactivada a função de seguir/des-seguir", confirmou o serviço há minutos.
O nível de anedotas disparou a uma altura inconcebível e em poucos minutos o assunto estava no topo da lista de trending topics. Com nada menos de 3 em 10 neste momento (e a crescer): "Following 0", "Twitter Bug Lets You" e "Force Anyone",
Frases como "YES! Cheguei finalmente ao mesmo numero de followers que o @aplusk!", ou "Novo modelo de negócio do Twitter: pague para ter os seus followers de volta" encheram milhões de timelines em escassos segundos.
Os números valem o que valem -- e nas redes sociais devem ser tomados com graaaande latitude, pois nem sempre valem alguma coisa. Contudo, são uma das medidas pelas quais as contas no Twitter são sopesadas. E no Twitter há desde há algumas horas seis portugueses com mais de 30.000 seguidores, ou followers. A conta mais recente a superar os 30.000 foi @jafonso -- isto segundo o top do TwitterPortugal.com.
Esta semana a minha conta passou os 20.000 followers. Sou o 14º honroso classificado daquela tabela, continuando a descer à medida que a rede se alarga :)
(Disclaimer: o TwitterPortugal.com é um projecto onde tenho interesses).
Há algum tempo que esperava da Google um movimento como o revelado ontem: um investimento, de soma não declarada, na empresa Recorded Future -- que, como o nome indica, pretende gravar o futuro.
A Recorded Future é uma espécie de bola de cristal hi-tech: pretende conseguir previsões semelhantes às meteorológicas. Analisando um grande conjunto de dados, conseguem-se identificar comportamentos em situações semelhantes, e como tal fazer alguma previsões. Com ferramentas de manipulação e visualização de resultados e projecções, faz-se o resto.
Em actividade desde Abril de 2009, a Recorded Future (ver blog da empresa) tualmente a empresa já fornece relatórios sobre o mercado financeiro, geopolítica, indústria, figuras públicas, segurança de sistemas de comunicação e até terrorismo (ver video abaixo). Mas a aplicação pode ser usada (149 dólares mensais) para gerar resultados sobre um determinado tema, ou até pessoa.
A tática do martelo
A aproximação da Recorded Future ao problema está bem de acordo com a aproximação da Google. Basicamente, consiste em: primeiro acumular grandes quantidades de dados; segundo, extrair meta-informação desses dados para prestar serviços de valor -- sejam resultados de pesquisas que estão muito acima do que a concorrência é capaz de fazer, seja o melhor anti-spammer do mercado, ainda por cima fornecido de borla. Terceiro, apurar a fórmula.
Aliás, basta ouvir os engenheiros e os altos quadros da Google para perceber quanto eles valorizam a acumulação de dados e a extracção de todos os tipos de valor através da tática do martelo ou da força bruta, muito comum aos engenheiros informáticos -- como os tenho ouvido, já esperava o movimento de aquisição.
Já há algum tempo, de resto, que a própria Google vem "brincando" com a análise de dados para previsão. Subsidia projectos sem fins lucrativos destinados ao combate de doenças usando a informação colhida em tempo real das pesquisas feitas pelas pessoas. Por exemplo, se o número de pesquisas por "gripe" aumenta subitamente numa determinada região, ou regiões, isso constitui um alerta em tempo real -- muitas horas antes do padrão poder ser detectado pelas autoridades sanitárias, ou mesmo dias e semanas, em certas latitudes.
Em Fevereiro de 2008 a Google anunciou um investimento de 25 milhões de dólares num prazo de 5 anos para programas de combate a ameaças.
Esse programa está dentro da Google.org - o ramo da Google não votado ao lucro, cuja direcção foi entregue a Larry Briliant, cientista com um papel determinante no combate à varíola.
A tática da inteligência
A utilização de grandes quantidades de dados e respectiva análise é um método antigo, ao qual a Google -- e também a Recorded Future -- dão a volta com uma larga experiência nos métodos de aquisição, arquivamento, filtragem e processamento. Estes novos processos permitidos pelo bom uso da informática permitem melhorar substancialmente a pesquisa, na medida em que a aceleram brutalmente.
Contudo, há outra aproximação mais radical a problemas de informação que também tem sido testada para prever comportamentos, nomeadamente do mercado financeiro. Consiste na sabedoria das multidões -- colocar uma questão a uma grande quantidade de cérebros e extrair a média das respostas. É excelente para prever o peso de um animal ou o número de feijões num frasco (exemplos referidos no The Wisdom of Crowds, de James Surowiecki, que já li faz tempo, e que é excelente para quem quiser desbravar esta fascinante área. Está disponível em português.).
Abusando da expressão para efeitos de estilo, esta é a tática da inteligência -- seja lá isso o que for. Tornando mais complexa a grelha de interpretação (confronto de respostas por grupos de cérebros) podemos melhorar, ou piorar, os cenários de previsão.
A Sabedoria das multidões tem dado bons resultados na antecipação de resultados eleitorais e no mercado de capitais, mas além da componente séria há a lúdica, a não desprezar. As técnicas dos mercados de previsão têm eco em Portugal no Trocas de Opinião, um site que poderá ter um papel interessante em próximos actos eleitorais -- no ano passado ainda não tinha massa crítica. Mas com o tempo isso esbater-se-á. Hoje já ali surgem resultados a ter em conta.
Sendo certo que a aproximação da Google aos problemas nunca privilegiou o processamento pelos humanos -- os cientistas-google são mais do género de usar a força dos algoritmos e o poder dos processadores --, a verdade é que, em última análise, a acção humana está bem no cerne do seu processo: são os biliões de acções humanas, sobretudo de pesquisa, mas também de decisão (como no Gmail, onde, sem nos apercebermos, ajudamos a detectar o spam), que alimentam os seus imensos, colossais armazéns de dados.
Resta-me acrescentar que esta aquisição surge num embrulho com outras da Google Venture, o braço da Google para os investimentos fora da área tecnológica e de longo prazo (tem apostado no mercado da energia comprando eólicas, entre outras aquisições).
É certo que tem ainda muito para cair, mas é igualmente certo que esse movimento se apresenta imparável: o browser da Microsoft, Internet Explorer, desceu a sua quota de mercado abaixo uma barreira psicológica, a dos 60%, no passado mês de Abril.
O Internet Explorer chegou a ter mais de 90% do mercado depois de ter vencido o Netscape na guerra dos browsers, na década passada. Na altura valeu tudo, nomeadamente abuso da posição dominante (que a empresa viria a pagar barato, em advogados e custas de processos movidos dos 2 lados do Atlântico).
O Netscape conseguiu uma espécie de vingança quando um descendente seu -- o Firefox -- conseguiu ameaçar o domínio do Internet Explorer e iniciar o movimento descendente deste.
Assim, há anos que o Internet Explorer vem perdendo a posição. A diferença é que agora perde utilizadores para o Chrome, o browser da Google. Ainda segundo os números da Netmarketshare, desde Abril do ano passado o Chrome ganhou 4,94 pontos enquanto o Firefox subiu apenas 0,75 e o Opera 0,26. No mesmo período o Internet Explorer perdeu 7,82 pontos percentuais de quota de mercado.
A Microsoft sofreu dois fortes revezes esta
semana e enfrenta um futuro complicado. Cancelou o seu Courier Tablet, rival do
iPad da Apple. E viu a Hewlett Packard, mais importante distribuidor mundial de
aparelhagem informática, desistir do Windows 7 para o futuro aparelho do tipo
iPad.
Num golpe estratégico a HP comprou em saldo a Palm, pioneira nos
smartphones, com imenso "know-how" e sistema operativo adequado.
Todos
apostam num futuro com aparelhos móveis variados, operando sistemas leves e
tendo os dados disponíveis na famosa "cloud". Todos menos a Microsoft.
Efeito Hollywood
Grupo Facebook da semana: 18.900 pessoas
aderiram a "Eu sempre quis entrar num táxi e dizer: "SIGA AQUELE
CARRO!" www.s3g.me/99u
Olá, o meu nome é Paulo Querido e mantenho este espaço como extensão em linha de uma coluna no Correio da Manhã. Sou consultor de new media, jornalista e escrevo livros e artigos (e também algum código) sobre a net e na net desde 1989.